O urso pardo marsicano (Ursus arctos marsicanus) também conhecido como urso-pardo-dos-apeninos e orso bruno marsicano em italiano , é uma subespécie muito rara do urso-pardo-euro-asiático (Ursus arctos arctos), que vive apenas no centro-sul da Itália, em uma pequena porção dos Apeninos centrais, com alcance restrito ao Parco Nazionale d'Abruzzo, Lazio e Molise e região circundante, na Itália. O nome popular do urso é derivado de Marsica , uma área histórica da região moderna de Abruzzo , onde o urso tem sobrevivido. É um urso de carácter tímido e solitário, o que o leva a assustar-se facilmente em caso de encontros inesperados com pessoas. Não é perigoso para os humanos, tanto que até hoje nenhum caso de agressão foi relatado.
O urso pardo marsicano
apresenta singularidades morfológicas e genéticas que o tornam uma unidade
evolutiva única
Segundo dados do projeto italiano
de genômica de conservação Endemixit,
obtidos com uma grande quantidade de informações, o panorama do urso-marsicano
no que diz respeito à saúde da população e seu patrimônio genético, é
relativamente tranquilizador. No genoma do urso pardo marsicano, há muito
isolado de outros ursos pardos europeus e com um pequeno tamanho populacional,
são visíveis traços claros de adaptação ao seu ambiente, uma pequena
área do Parque Nacional de Abruzzo, Lazio e Molise e adjacências, que o
qualificam como um endemismo, com alta singularidade resultado de adaptações
locais que evoluíram ao longo dos anos de isolamento.
O urso pardo marsicano
difere de outros ursos pardos em diferenças morfológicas e genéticas adquiridas
ao longo de um período de isolamento que o manteve separado geneticamente do urso-pardo-euro-asiático
por entre 400 e 600 anos. Difere de outros ursos pardos em sua aparência, técnicas
de hibernação e pelo seu tamanho, sendo um pouco menor. Apresenta uma típica
pelagem marrom e grande nariz preto e achatado, destacado no focinho largo e
alongado e na forma circular. Esta diferenciação confere ao urso-pardo-marsicano
a condição de que essa população residual de ursos pardos dos Apeninos deve ser
considerada uma unidade evolutiva e de conservação por direito próprio.
População muito reduzida do
urso marsicano tem que ser dobrada em 30 anos
Com uma população muito reduzida,
entre 50-60 exemplares, e concentrada no
Parco Nazionale d’Abruzzo, Lazio e Molise, e com presença menor no Parque Majella, cada avistamento
reacende as esperanças de poder salvar essa subespécie: no final de 2021 e em
maio de 2022, espécimes de ursos marsicanos foram rastreados entre
Marche e Umbria, no Parque Nacional das
Montanhas Sibillini , onde esse mamífero não era visto há 10 anos.
O reduzido número do urso-pardo-marsicano,
coloca em risco a sobrevivência desta subespécie, razão pela qual estão sendo
feitas várias iniciativas para duplicar a população até 2050. Como urso mais
raro da Europa, o urso pardo marsicano foi o animal escolhido pela
WWF este ano para lançar a campanha ReNature 2022 que visa proteger e regenerar
o capital natural, em benefício das gerações atuais e futuras. O objetivo é
criar em até 30 anos um cinto de segurança em torno da área central onde vive o
urso marsicano, ou seja, criar as condições para que o urso possa se
expandir naturalmente no território.
Há um conjunto de ações que se
bem executadas podem contribuir para dobrar a população
Entre as ações necessárias para
dobrar a população dos ursos-marsicanos em 30 anos estão: restaurar
dezenas de passagens subterrâneas abandonadas e intransitáveis para os
animais, distribuir novas cercas para proteger as fazendas, instalar postes
acústicos e ópticos que desencorajam os ursos a atravessar as estradas mais
perigosas, remover os recursos que atraem os ursos para as cidades, por
exemplo, substituindo as atuais lixeiras por modelos à prova de ursos e favorecer a convivência com as populações
locais superando preconceitos e desconfianças.
Os atropelamentos tem se
constituído na maior ameaça ao urso atualmente
Entre as ameaças atuais ao urso-marsicano
estão os atropelamentos. Nos últimos anos seis ursos perderam a vida devido ao
impacto com veículos, o último em 2021. Para uma população que pouco excede 50
animais significa uma grande perda. A esperança dos conservacionistas está nos
nascimentos. Os dados mais recentes relativos à taxa de natalidade são de 2018,
com 11 filhotes e de 2019 com 16 novos filhotes, este último número é o
resultado de um valor recorde de 9 fêmeas com filhotes nesse ano. Em 2020 e
2021 não houve censos devido à pandemia.
Um dos objetivos de projetos
de conservação do urso é a recolonização de novas áreas
A Associação
Salviamo l’Orso realiza
trabalho para expandir a área coberta pelo urso-pardo-marsicano
atualmente para proteger o habitat dos ursos, mantendo certas áreas fora das
garras dos especuladores de terra. Mas também com o objetivo de conscientizar o
público sobre o perigo em que os ursos estão e como é importante para eles
sobreviver. Consideram que proteger os ursos é uma emergência cultural para
todo o país, não apenas Abruzzo e a região dos Apeninos. Em resumo, Salviamo
l'Orso quer realizar intervenções tangíveis, além de lutar pela influência
cultural e política. Entre seus principais projetos estão: o projeto “Bear
Smart Community Genzana” e o “A
passage for the bear”
O projeto Smart Community Genzana promove o
processo de recolonização do urso pardo marsicano e garante sua
persistência nos Apeninos Centrais, evitando conflitos entre humanos e ursos e
educando as comunidades locais sobre como coexistir com esta subespécie
criticamente ameaçada.
O outro projeto denominado “A passage for the bear”
está particularmente focado na faixa periférica ocupada pelo urso-pardo-marsicano,
que é criticamente importante para promover o processo de recolonização e
garantir a persistência desta subespécie.
Conjunto mínimo de diretrizes serve de orientação no
trabalho de conservação do urso
Para salvar o urso pardo marsicano da extinção o Parque
Nacional de Abruzzo, Lazio e Molise, que contém a maior população de ursos
marsicanos, adota diretrizes que tem orientado os diversos projetos em
torno da conservação do raro animal. Estas diretrizes são: Repressão à caça
furtiva, resolução do conflito com os humanos, planejamento de atividades
antrópicas no território do Parque, manutenção das áreas de ligação entre o
Parque e as áreas protegidas vizinhas e monitoramento constante da população de
ursos nos Apeninos.
Fontes: OHGA,
WWF.Itália,
Fondazione
Una, Salviamo L’Orso, Rosmarino
News, Luce,
Kuwo, Bear
Conservation, Biodiversity4all,
Journal
of Mammalogy,, European
Zoological Journal, European
Parliamente, Life
Arcprom, IUCN.Italia,
Hystrix,
Parco Nazionale D’Abruzzo,
Salviamo L’orso,
Parchi
Lazio, Animal
Biodiversity and Conservation, Discover
Mammals of Europe, Pnas, Storia
Della Fauna, Parco
Monti Simbruini
Foto:Urso pardo marsicano_by I.Guj e segunda foto: Ursa marsicana com filhotes_Rosmarino News